Resenha: Begotten (ATUALIZADO)

Begotten

E com direito a entrevista com o autor.

Por conta do aplicativo Zuckerberg conheci há um tempo o entusiasta quadrinístico Fernando Cunha (provavelmente por intermédio da página do Caio Oliveira imagino). Fernando, um mineiro de Berzonte, é também um artista gráfico que está lançando seu trabalho nas internês da vida com a HQ Begotten. A HQ (que você pode ler gratuitamente logo abaixo, mas se o wordpress der ruim você pode clicar AQUI) foi para mim uma baita surpresa não só pela arte como também pela trama. Imaginem uma distopia apocalíptica com nuances de “V de Vonguinça”, “Hellblazer” e “O Vingador do Futuro”. Adicione aí referências obscuras de agnostiscismo e finalize com desenhos que conseguem transmitir essa atmosfera caótica e voilá: você tem uma excelente leitura.

Fiquei tão na pira com a HQ que entrei em contato com o Fernando pelo pombo-correio do Aplicativo Zuckerberg para, além de elogiar a HQ, fazer uma micro-entrevista com o mesmo para nosso site xexelento. Com grande solicitude Fernando respondeu  às perguntas cretinas que  fiz pessoalmente após teleportar-me a BH formulei e enviei pelo messenger. Deem um zóio:

SA: Fernando, qual a cor de sua roupa íntima que está usando agora?

FC: Não estou usando roupa íntima agora…

 

SA: Diga um pouco a respeito de sua carreira desde que o seu planeta natal explodiu e seus pais lhe enviaram ao Planeta Terra em uma nave.

FC: Bom, assumindo que, queira saber sobre minha “carreira” com os quadrinhos. Não há uma, Ainda! Mas, estou trabalhando para mudar esse quadro.

 

SA: Como e quando foi seu primeiro contato com quadrinhos?

FC: Meu primeiro contato com os quadrinhos, foi ainda na infância, havia um tio e ele tinha uma vasta coleção. E, toda vez, que ia visitá-lo ficava geralmente o domingo todo, lendo os gibis daquela coleção enorme… Saudades, cara.

 

SA: Quais são seus títulos bem como escritores e desenhistas favoritos?

FC:

Livros: Clube da luta (Chuck Palahniuk), Trainspotting (Irvine welsh), O perfume -A história de um assassino (Patrick Suskind),  Laranja Mecânica (Anthony Burgess) e O Exorcista (William Peter Blatty)

Quadrinhos: Qualquer coisa do Lourenço Mutarelli, Ranxerox, Sandman,  os mangás do Suehiro Maruo e do Hideshi Hino que saíram no Brasil…

Desenhistas e artistas gráficos : Mike Mignola, Dave Mckean, Kent Williams, Bill Sienkiewicz, HR. Giger. Meu traço, já foi bem experimental…

Bandas: Nirvana, Nine inch Nails, Ministry… Digo tudo isso, por tudo o que gosto acaba influenciando meu trabalho em algum momento…

Me afastei dos super-heróis então, não sei o que está acontecendo… Só, no cinema.

 

SA: Quais autores exercem maior influência no seu trabalho?

FC: Alan Moore, Philip K. Dick,  Grant Morrison, William  Burroughs

 

SA: Como é seu método de criação / trabalho? Você é mais “old school” trabalhando com lápis, nanquim e papel ou é 100% digital?

FC: Bom, já fui mais “old School” mas, fiz curso de Design Gráfico e aprendi a gostar do digital. Produzo sozinho então, é o processo mais prático.

 

SA: Agora a respeito de sua HQ, “Begotten”. Pessoalmente curti muito a trama e os desenhos. Para mim, ela apresenta-se (sinta-se à vontade de me corrigir se eu viajar na maionese) como uma espécie de distopia fantástica apocalíptica temperada com conceitos presentes em obras como “V de Vingança”, “Hellblazer”, “They Live” e “Total Recall”. Você também trabalha com conceitos “obscuros” do gnosticismo e da mitologia judaico-cristã (como o Yaldabaoth descrito no Apócrifo de João e no livro “Sobre a Origem do Mundo” – beijo Wikipédia). Poderia discorrer um pouco mais a respeito de sua obra, trama, personagens, referências, motivações e inspirações?

FC: A obra em si, nasceu de um projeto de conclusão de faculdade. O ano era 2013 e um deputado na época, havia proposto a cura gay. Vi a partir daquele momento, o absurdo que se consegue quando se mistura política e religião… Acho, religião uma “ferramenta” muito perigosa.

Sou muito fã do gênero ficção, sobre tudo o  cyberpunk, e esse gênero propõe acima de tudo criticar, questionar e especular  sobre a humanidade e sobre os rumos os quais ela pode tomar em todas sua variáveis.

A junção de tudo isso, acabou gerando Begotten… Quer dizer, não sei se Begotten se enquandra como Cyberpunk, mas, penso nele assim… Mas, fazendo do meu jeito.

E, bem, Sou pirado! Apesar de cético gosto bastante dos conceitos obscuros do gnosticismo. Na verdade, sou um paradoxo não acredito mas, gosto de explorar esses conceitos…

 

SA: A HQ, apesar de se caracterizar como uma distopia, a meu ver emprega alguns elementos cuja discussão estão se dando neste momento principalmente em nosso País, como a LGBTfobia e a ascensão de caricaturas como Bolsonaro que escondem o discurso de ódio atrás de um pseudomoralismo religioso. O paralelo foi proposital? E como você enxerga essas questões?

FC: Sim, cara veja, como falei anteriormente, a semente para Begotten foi plantada em 2013 com as declarações e as propostas de um deputado. Não, foi o Bolsonaro mas, esse é igual ou pior e é considerado “um exemplo a ser seguido” por muitos.

Em um mundo, minimamente aceitável, você pegaria uma história como Begotten e perguntaria : “O que esse cara, anda tomando pra criar isso?”

Mas, não… Nos dias atuais, você pega uma obra absurda como essa, é vê semelhanças  com nossa realidade atual… E não está errado! Isso te dá o que pensar. É, um caminho assustador esse que estamos tomando.

 

SA: Quando e o que esperar da continuação da HQ?

FC: Ocultismo, anarquia, criticas sociais, violência… E com sorte, uma história que consiga  te dar algo para pensar…

 

SA: Onde podemos ver mais de seu trabalho?

FC: Nasci agora neste meio… Na verdade, sou um pouco menos que invisível. Begotten, será minha primeira tentativa de começar a jornada como autor.

 

SA: O que você tem lido/visto/ouvido atualmente e o que recomendaria?

Cara, é muita coisa…  E gosto, é algo tão particular…Mas, gosto de consumir coisas que vão além do mainstream sabe? É lá que geralmente,  se  encontra “as pérolas”…  Mas, esteja aberto. Tudo o que lê, vê, e escuta tem seu valor… Bem, algumas coisas não… Mas, cabe a você filtrar.

 

SA: Para finalizar, o mais importante: Marvel ou DC?

FC: Que tal,  personagens e histórias bem escritos.

(***A resposta correta é “Marvel”, mas tudo bem :D ***)

 

SA: Fernando, só tenho a agradecer pela gentileza. Espero não ter sido enfadonho nos questionamentos.

FC: Foi um prazer! Gostaria de agradecer a oportunidade  de falar  sobre o  meu trabalho. Grato, a você pelo convite e muito obrigado a todos os que leram isso até o final. Abraço!

 

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O Fernando enviou um novo link da HQ (que eu já colei no visualizador lá em acima) com mais páginas e com a entrevista aqui do pÓstE ao final  :)

A ideia do Fernando é deixar a história com esta edição, que corresponderia a uma espécie de compilado de volumes 01 e 02 e então, ao final deste semestre ou até o final do ano, lançar outro compilado dando a continuidade à trama e com uma caralhada de páginas (se rolar, talvez até na forma de um gibi físico-celulósico). Eu, que já virei putinha da HQ, vou ficar ansioso à espera da continuação. Novamente um forte abraço ao amiche Fernando.