Realidades Adaptadas

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Como eu amo livros de contos.

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Digo e repito, livros de contos são a melhor forma possível de se conhecer um autor. Ver a sua escrita de maneira compacta em uma história mais curta que de costume além de prender a sua atenção com mais facilidade também faz com que seja mais fácil assimilar a leitura de algo mais extenso a posteriori. Existe um número expressivo de grandes nomes cujos contos são fáceis de se encontrar por aí, Charles Bukowski, Stephen King, Edgar Alan Poe, Clive Barker,  H. P. Lovecraft, Franz Kafka…

E o autor do livro de hoje, Philip K. Dick.

Diferente da lista um pouco acima, conheci a escrita do clássico autor de ficção científica através de uma obra extensa. A vontade de começar a leitura por esse volume quando o box de 3 livros do autor chegou em casa era forte, mas a imensa curiosidade acerca de O Homem Do Castelo Alto acabou prevalecendo. Me arrependo? Com certeza não, já que ele também é  um livro ótimo. Sem falar que a leitura do alvo deste pos se seu no momento certo, devida uma série de mudanças no meu dia a dia (incluindo a mudança para outra cidade) ler um livro longo seria pedir para esquecer a maioria das coisas.

Essa coletânea é um pouco especial por que reúne contos do autor escritos para diversas publicações diferentes, mas que possuem em comum o fato de que todos foram em alguma época adaptados para o cinema. O objetivo deste post não é comparar o texto original com a versão de Hollywood, isto talvez vire no futuro o temo de outro (ou outros) posts, hoje é somente uma análise pura e simples apenas do que está impresso.

Lembramos Você a Preço de Atacado

Douglas Quail possui uma fixação com Marte, constantemente tem sonhos nos quais está vagando pela superfície do planeta vermelho. Muitas vezes esses sonhos são tá detalhados que se assemelham a lembranças, mas é impossível, Quail nunca esteve em Marte. Um simples escriturário não tem condições monetárias o suficiente para pagar uma viagem tão cara, se fosse talvez um agente secreto ou oficial de alta patente esse até seria um sonho possível, mas a realidade é outra.

Um dia, cansado de aceitar a situação imposta por sua vide medíocre ele vai até a Rekordar S.A., empresa especializada em implantes de memória altamente realistas. Se não vai viajar para Marte fisicamente, se apegar em uma ilusão vívida não parece tão ruim. Porém o processo de implante de memória podem revelar  segredos que nunca deveriam ser descobertos. Aqui no Brasil as adaptações  receberam o nome de O Vingador do Futuro, sendo a versão mais antiga estrelada por Arnold Schwarzenegger um clássico das tardes de domingo.

Segunda Variedade

A guerra fria entre as nações capitalistas lideradas pelos Estados Unidos e o bloco soviético liderado pela Rússia não é mais tão fria assim. Existe mio pouca coisa que a radiação não devastou, e após um série de derrotas e perdas de território para os vermelhos, os ocidentais começaram a usar autômatos para virar o jogo. Grandes fábricas autossustentáveis e dotadas de inteligência e capacidade de adaptação foram criadas, e o quadro dos conflitos mudou drasticamente.

Os dispositivos de defesa e identificação ainda são capazes de manter as pequenas e mortíferas esferas cinzas longe de seus mestres, mas as máquinas estão cada vez mais inteligentes. Um soldado parte em missão para conseguir informações sobre  uma base que parou de se comunicar, e acaba por descobrir que as máquinas evoluíram a tal ponto de se tornarem idênticas aos humanos, e tem por objetivo eliminá-los para herdar o planeta. A adaptação cinematográfica recebeu aqui o nome de Screamers – Assassinos Cibernéticos.

Impostor

Conto que deu origem ao filme homônimo, Impostor narra a história de Spence Ollham, um cientista que trabalha em um sistema de defesa planetário que seja capaz de repelir de maneira efetiva as naves invasoras de Alfa Centauri. Um dia ao ir para o trabalho Spence é detido e levado para uma base espacial em órbita. O motivo: o serviço de inteligência descobriu o planos dos alienígenas de trocar o cientista por um androide programado para se auto destruir quando mencionasse uma certa palavra.

A programação do ser cibernético copiaria perfeitamente os pensamentos e personalidade de Spence através de um scanner e depois o mataria para tomar o seu lugar. Faz parte da programação o androide não saber  o seu objetivo para que não seja detectado. Ollham consegue fugir da base mas  tem pouco tempo para conseguir provar que a troca não ocorreu antes que seja morto.

O Relatório Minoritário

John Anderton está na Divisão Pré Crime desde a sua criação, na qual ele é um dos grandes responsáveis. Mas antes que se aposente em definitivo, cabe a ele familiarizar e ensinar ao jovem agente Witwer como as coisas funcionam.  Anderton sabe que Witwer em breve irá substituí-lo, e isso deixa a tarefa muito menos agradável. No dia de apresentação do novo investigador, John recebe um dado alarmante dos precogs – mutantes sensitivos capazes de enxergar o futuro – de que em uma semana ele irá assassinar  um homem do qual nuca ouviu falar antes.

Ao passo que Anderton tenta solucionar esse  problema (logo após suprimir essa informação da agência) sua atitudes levam ele a uma sucessão de eventos que parecem confirmar que o seu destino – e o futuro, de modo geral – é impassível de mudança. O conto foi adaptado por Steven Spielberg e ganhou o título de Minority Report – A Nova Lei.

O Pagamento

Se passaram dois anos desde Jennings, técnico em engenharia elétrica foi contratado pela mega corporação Construtora Rethrick. Ele não se lembra dos detalhes do trabalho, na verdade ele não se lembra de nada, já que por uma norma ao fim do contrato a memória dos dois últimos anos foi apagada. Por mais que isso o incomode, o pagamento de 50 mil créditos parecia – e ainda parece- compensar a dor de cabeça. Porém o Jennings desses 2 anos acabou pro tocar a bolada por uma série de objetos inúteis.

Não mais protegido pela empresa, o técnico agora passa a ser alvo  da fascista Polícia de Segurança, que vem investigando a Construtora há anos sem fruto algum. Com o  passar da trama os objetos passam a fazer sentido um a um, começando pelo pequeno pedaço de fio de cobre. Agora só faltam a passagem de ônibus, o comprovante de depósito, a ficha de poker quebrada ao meio, a chave codificada e o pedaço de pano verde.

O Homem Dourado

A Era Nuclear trouxe a evolução do ser humano, mas não de maneira agradável. Apesar de alguns dos mutantes possuírem habilidades, a grande maioria são apenas criaturas deformadas e com um nível de inteligência bem abaixo do normal. Mas eles se reproduzem rápido, e isso é uma ameaça aos humanos. Para evitar que as bestas tomem conta do planeta a ACD foi criada, com o objetivo de descobrir, catalogar e aniquilar as novas espécies humanas. E uma dica anônima acaba levando um dos agentes da ACD para uma fazenda do meio oeste americano.

Aparentemente um mutante vive lá há anos, escondido de todos graças aos esforços de sua família. Cris Johnson vive em um mundo diferente, à frente do nosso, graças a sua habilidade de ver o futuro, mesmo que por curto período. Poderia até passar despercebido se não fosse a sua aparência, alta forte e definida como uma estátua de mármore, porém dourada. Exatamente isso, pele, olhos, cabelo, seu corpo todo é dourado. E parece que agora a ACD encontrou um mutante que não vai ser tão facilmente morto. Reza a lenda que esse conto baseou o filme de ação O Vidente, estrelado por Nicholas Cage.

Equipe de Ajuste

Ed Fletcher vive uma vida comum de assalariado, até que um dia sua vida entra em parafuso devido um erro de terceiros. O setor onde se Ed trabalhava estava prestes a sofrer um reajuste, mas um erro de um doas agentes faz com que Ed se atrase e chegue justamente no período de mudança. Inicialmente tudo parece um sonhe louco, com pessoas e paredes transformadas em pilhas de poeira. Mas ao retornar horas depois, ele percebe pequenas mudanças nas pessoas e locais. Um cabelo diferente aqui, uma parede com decoração nova ali, uma pessoa 15 anos mais nova acolá, nada demais.

O fato é que Fletcher também deveria ter participado do reajuste, mas acabou chegando atrasado e testemunhou algo que nenhum ser humano deveria ver: a criação sendo atualizada. Tudo pode vir a desmoronar se Fletcher resolver  abrir a boca. Esse foi o conto que deu origem ao filme Agentes do Destino, de 2011.

***

Eu não conheço todos os filmes aqui citados, mas os que eu conheço pegaram apenas uma vaga influência dos contos. Em alguns casos o resultado foi bom ou satisfatório, como em Total Recall e Minority Report, já em casos como O Vidente, é praticamente perda total. Entendo a necessidade de se acrescentar mais história, até porque os contos são curtos e não muito densos, mas uma coisa é acrescentar, outra é mudar a porra toda e dizer que é uma adaptação. Talvez a maneira mais correta de adaptar contos assim seria na forma de uma série, sendo cada episódio um conto diferente.

O livro  é uma leitura muito rápida e agradável. Alguns contos como Equipe de Ajuste e Lembramos Para Você… possuem uma pitada de humor ótima, enquanto Impostor e O Homem Dourado são de prender a respiração. Segunda Variedade é um conto de terror tenebroso, e acabou sendo o meu favorito.

Eu realmente não me preocupei em procurar o preço do livro sozinho, mas o kit com ele, O Homem do Castelo Alto e Os Androides Sonham com Ovelhas Elétricas custa 70 mangos, mas vira e mexe dá pra encontrar por 50 reais nos Submarinos da vida. O livro é bem bonito, seguindo o padrão de capas que dão dor de cabeça já explicados lá no post sobre Castelo Alto. Aquisição mais que recomendada para fãs de ficção.

Godoka
19/10/2016
  • Fábio H.F.Castro

    Ótimo livro, o meu conto favorio é o Homem dourado que virou o bizarro Vidente. O segunda variedade me lembrou muito o exterminador do futuro, muito tenso. Também acho que valeria ter séries bem feitas de todos esses contos, infelizmente a do minority report n seguiu essa ideia.

    • Se eu fosse um figurão de TV, encabeçaria a ideia de uma série só com contos de ficção e terror adaptados, cada temporada homenageando um autor. Phillip K Dick, Asimov, Poe, Lovecraft, Kafka, Clive Barker, Stephen King…

      • PCB

        Essa ideia é de quem pegar primeiro, HBO / Netflix!

      • Fábio H.F.Castro

        Até hoje a tv tenta engrenar um novo Twilight zone. Hoje tem essas series antológicas American Horror, True Detective, Black Mirror, tinha também aquela Nightmares e dreamscapes que era só do king.

    • Anubis_Necromancer

      Screamers até que ficou “bacaninha”, mas a sequencia dele…
      Há cosia que nunca deveriam ter sequencia.

  • O_Comentarista

    Esse autor era foda.

    Mas essas capas, pqp! Dão dor de cabeça.

  • PCB

    Se comprar o livro, vou sentar a canetinha preta nas linhas brancas da capa…

  • Queria ter tempo pra ler este tipo de livro!

    O Pagamento também virou filme, em 2003 dirigido pelo John Woo, nunca assisti!

  • Bob Balburdia

    Quem foi o babaca que teve a ideia dessas capas? Porra…

    Mas as historias são interessantes.

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