Radiohead – OK Computer

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Porque sim!

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Tá aí um post que eu queria fazer desde o começo do site, acho que esse é o último disco da lista inicial pra essa coluna que fiz a muito tempo. E como ano passado o Radiohead completou 30 anos de carreira e ano que vem OK Computer completa vinte anos de seu lançamento, nada como aproveitar a data mais aleatória possível para escrever esse post.

OK foi lançado em março de 1997 e é o terceiro disco de estúdio da banda, que havia alcançado reconhecimento com Pablo Honey de 93 e o sucesso em 95 com The Bends. Porém o status de super grupo e salvador da música, esse último sempre um erro, veio com OK Computer.

Talvez a principal característica que diferencie este disco de seus antecessores seja o uso de de elementos de música eletrônica em abundância em praticamente todas as faixas, tendo como talvez a única exceção Electioneering. Mas até chegarmos a essa música a viagem é longa e cheia de clássicos da banda. A primeira música é Airbag, com uma guitarra marcante e samples de bateria que hoje podem parecer normais, mais em 1997 causavam estranhamento aos mais puristas.

A segunda música e primeiro single do disco é Paranoid Android, uma das músicas mais conhecidas do grupo e uma das minhas favoritas. Não apenas o ritmo e melodias das músicas são tristes e depressivas, mas as letras também em grande parte procuram passar o sentimento de desconforto e descontentamento com o mundo à sua volta. Na verdade podemos dizer que Tom Yorke não é exatamente a pessoa mais sociável do mundo.

A terceira faixa, Subterranean Homesick Alien, possui uma melodia de delicadeza e beleza ímpar, apesar de sua letra mais uma vez de forte cunho antissocial. O disco prossegue com Exit Music (For A Fim), que mesmo combinando com o clima do álbum sempre foi melancólica demais pro meu gosto. Em compensação, Let Down é uma faixa que por um bom tempo tomou conta do botão repeat do meu mini system.

Talvez a música mais conhecida do disco, e talvez a mais bela também, Karma Police foi o segundo single do disco e chegou a ganhar um clipe passado à exaustão na MTv, tanto a internacional quanto a falecida nacional. Além da interpretação de Yorke, o piano é o maior destaque dessa faixa. Na sequência temos Fitter Happier, que não é exatamente uma música, mas sim um pequeno texto reproduzido por um programa de voz extremamente robótico, e que reflete bastante a paranoia de um século XXI cada vez mais automático e com menos espaço para relações e emoções humanas.

E voltamos ao começo do texto, quando citei Electioneering. Provavelmente a música mais animada de todo o disco, se é que tal coisa é possível em um disco do Radiohead, mas essa música é um belo rock alternativo que possui até um pouco daquela raiva característica das melhores bandas punk. Climb Up The Walls nunca me chamou muito a atenção, mas é uma bela música e de certa forma me lembra bastante o que outras bandas alternativas fizeram anos depois.

No Surprises, terceiro single do disco, é um capítulo à parte. Com sua melodia bela, triste e que remete à infância, ela acaba se fixando na sua cabeça de um jeito que não sai por um bom tempo. Pessoalmente eu possuo um relacionamento de amor e ódio com essa música, pois ao mesmo tempo que eu gosto muito da mesma, em alguns momentos eu simplesmente não suporto ouvi-la. Apesar de gostar muito, recomendo àqueles que estão passando por maus momentos que mantenham certa distância da mesma.

Lucky fecha o quarteto de singles do álbum, e esse em especial foi lançado para promover o disco de caridade The Help Album, da fundação War Child, que cuida de crianças que vivem em zonas de guerra. O encerramento do disco fica por conta de The Tourist, que assim como Climb Up nunca chamou muito a minha atenção.

OK Computer foi importante para mim não apenas por fazer parte de um momento antissocial da minha vida que grande parte dos adolescentes possui, mas também foi o primeiro passo para quebrar um preconceito musical até então bem forte. Mesmo seus sucessores (Kid A e Amnesiac) mergulharem de cabeça na música eletrônica, OK ainda é um disco de rock, e dos bons, daqueles que ditam as regras do que vem à seguir. Se você ouviu e gostou ótimo, e se ouviu e não gostou tudo bem também, o mundo seria um lugar muito chato se todos tivessem os mesmos gostos. Mas se você não gosta só porque te disseram que é ruim, sinto muito amiguinho, mas sua opinião é um lixo pelo simples fato de não ser sua.

Ah, o mesmo vale pra você que fala que curte só porque quer pagar de cult e antenado, seu hipsterzinho de merda.