PRECISAMOS falar sobre o caso da moça e os 30 monstros

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Por que fazer textolão no Facebook se eu posso fazer aqui?!

Boas, pessoal.

Essa semana é uma semana triste. Muito triste. Esse caso escroto aconteceu e foi o suficiente para mexer com tudo e todos. Sinceramente essa é uma posição que devemos adotar desde sempre, já que diversos casos ocorrem e são tratados como “corriqueiros”. Eu sei, me desculpe por isso. O ponto é que não podemos nos fazer de mudos, cegos e surdos para sempre. E precisamos começar alguma hora. A hora é agora.

Não estou aqui para dar detalhes desse evento escroto, muito menos dados precisos. Estou aqui para falar de corpo e alma. Se você não está afim de ler sobre, tem uma solução bem simples: fecha a aba. Ninguém está pedindo para você ficar e ler algo que vai te desagradar.

Agora se você está aqui, tenho algo muito sério para dizer. Eu, de jeito algum, falo pelo site ou por alguém dele, mas coloco a minha mão no fogo por todo mundo que está escrevendo aqui e sei que eles estão comigo nessa: NÓS REPUDIAMOS A CULTURA DO ESTUPRO, ASSIM COMO QUALQUER OUTRO TIPO DE CULTURA PRECONCEITUOSA QUE POSSA EXISTIR.

Esse mundo aqui está quebrado. Não precisamos de mais gente promovendo desgraças. Precisamos de mais empatia, amor, respeito, zelo e igualdade.

Todos os homens possuem uma certa parcela de culpa nesse tipo de questão. TODOS.

Você pode até argumentar: “Ah, mas eu não incentivo nada e nem ninguém”. Mas nós também não combatemos isso. Não baseamos a nossa vida em andar contra essa maré. As mulheres, sim. Elas precisam viver com isso. Precisam vencer essa batalha todo minuto. Toda vez que voltam do trabalho, escola, faculdade, parque, restaurante. Elas precisam ganhar essa luta todo dia.

Falando por mim agora: Sou do tipo de pessoa que repudia qualquer ação opressora. Pensei em duas dúzias de coisas nesse meio tempo e não creio NUNCA que os meios justifiquem os fins. Eu sei que isso é questionável e que posso ter esquecido toneladas de coisas, mas HEY… só estou tentando usar uma linha de raciocínio lógica por aqui. Sinta-se livre para conversar sobre isso aqui nos comentários.

De qualquer forma, queria deixar uma coisa bem clara: Não tenho muito o que falar. Esse tipo de coisa é tão horrenda e nojenta que palavras me fogem. Espero que todos aqui entendam que a pessoa violentada NUNCA deve ter responsabilidade ou ser julgada por algo que aconteceu. A culpa NÃO é dela. NUNCA FOI E NUNCA SERÁ. Entendam isso.

Eu tenho nojo e vergonha de tudo isso. Me sinto péssimo por ser um homem e por não poder ajudar de uma forma efetiva. Eu tento fazer o possível no meu dia, mas o possível não é suficiente. Sabemos disso.

Acho que a única coisa que me resta, então, é dizer que estou chorando e sinto muito por tudo isso o que está acontecendo. Não é como se eu tivesse escrevendo isso para tentar aliviar a minha culpa nessa sociedade escrota. Só estou dando um último grito de tristeza e agonia.

Eu respeito a opinião das pessoas. Respeito mesmo. Mas saiba que se você discorda disso aqui, você é um babaca. Não por discordar de mim. Longe disso. Você é um babaca por ser contra as pessoas. Precisamos nos unir e não começar a nos segmentar mais ainda.

Se, por algum motivo, você ainda seja contra isso ou pense diferente, há uma saída para você: SUMA DAQUI. Nós não precisamos de você por aqui no nosso site. Sinto te informar dessa forma, mas ninguém precisa de você por aí.

Acho que essa é a mensagem que quis passar.

Muito obrigado por terem lido.

Força pra todo mundo!

  • Egon-arseface pra preacher

    Eu não consigo(tanto que essa ainda é primeira vez que eu consigo falar sobre o caso) abandonar o sentimento de raiva e vergonha que esse caso me trouxe.

    Porque não basta ser brutal, não basta o que aconteceu ser errado de tantas formas(homens e mulheres, mas eu quero falar especificamente de homens) usando o maximo para evitar falar sobre cultura do estupro, evitar assumir que o país é machista, desistimular os movimentos feministas, culpar a vitima, TENTAR ARRANJAR JUSTIFICATIVA PRA UM ATO QUE ELES MESMO PEDEM UMA PUNIÇÃO EXTREMISTA CONTRA, tudo menos assumir os erros, assumir que cometeram ou ainda cometem atos que de alguma forma menosprezem mulheres, assumir que sua criação, sua religião e suas atitudes foram de alguma forma erradas.

    Eu gostaria de falar por todos os homens sobre a vergonha que sinto, mas ja vi que muitos são retardados demais pra sentir isso.

    eu ja cometi atos machistas, acho que todos ja cometeram algum,eu ainda erro por não sber como me expressar abertamente, mas eu não quero isso, eu não quero ser assim, eu quero ser uma pessoa melhor.

    Otimo texto Cgui. Parabéns.

    • Pois é, Egon.
      É complicado demais…
      Eu não possuo certeza, clareza ou razão em nada. A única coisa que fiz foi dar um grito. Assim como o seu. Assim como alguns.
      E eu concordo muito com isso que você disse:
      “mas eu não quero isso, eu não quero ser assim, eu quero ser uma pessoa melhor.”
      Também quero ser uma pessoa melhor e sinto que estamos caminhando pra isso.
      Pelo menos pra tentar melhorar um pouco essa desgraça toda.

      Valeu mesmo, <3

    • São pontos diferentes, cara…
      Sugiro que leia o texto antes de falar isso por aqui.
      Eu disse que todos somos culpados e que todos possuem sua parcela de culpa por, basicamente, sermos apáticos à essa situação.
      É maior do que a gente. Vem da cultura de nosso país. Dos hábitos. Não é, necessariamente, alguma coisa que muda de forma tão simples (infelizmente).

      Outra coisa. Eu fiz um post e usei as minhas palavras para ilustrar que nada tá certo nessa vida. Você simplesmente posta que não “é como todo homem” e posta um print do Twitter.
      Me desculpa, mas isso, pra mim, não soa como “todo homem”. Soa como um moleque desses de Facebook que vivem pra atacar algum argumento de qualquer forma possível.

      Eu já disse ali e repito. Se você não concorda com alguma coisa, pega as tuas coisas e saia daqui. Você não é obrigado à nada. Eu também não.
      Agradecido.

      • Concordo com você, não com a besteira dessa merda que achei no facebook. Uma coisa é ser meio machista de vez em quando, outra é sempre estar a um passo de cometer uma selvageria como o estupro.

        E não quis atacar seu argumento, só expor outro imbecil que achei no facebook sobre o assunto e do qual eu mesmo mostro discordar com o que eu digo no comentário (desculpa por causar essa confusão).

  • Primo Zoa

    Parabéns, ótimo texto.

  • Churrumino

    Boa, Cgui!
    Esse episódio não deve passar em branco e temos que combater de todas as formas esse tipo de atrocidade. Mas não vou mentir e nem ser hipócrita ao dizer que a generização de que “todo homem é um potencial estuprador” me incomoda bastante, não por eu ser homem, mas sim por achar que ela segue a mesma lógica da galera que vê um negro vindo na mesma calçada e atravessa a rua com medo de ser assaltado, um tipo de extremismo que eu odeio. Eu tô chocado com essa situação em todos os sentidos: por ter sido num bairro vizinho da onde eu vivo, por empatia a vítima, já que poderia ter sido uma conhecida ou até familiar minha…é foda!

    • Valeu, Diogo.
      Eu não concordo com generalizações. Não faz muito o meu estilo.
      Também não disse, em nenhum momento, que todo homem é um potencial estuprador.
      O que quis dizer com isso tudo é que apesar da gente tentar ser o melhor possível, também temos uma grande parcela de culpa nisso.
      Nossa cultura é machista e, infelizmente, está “de acordo” com esse “hábito” do estupro.
      Quando eu digo que somos também somos culpados, é porque nós somos tão cidadãos quanto todos e, mesmo assim, não fazemos nada para tentar mudar isso. Nós nem ao menos lutamos com nossas vidas contra isso, como é o caso da mulheres.
      O não fazer nada engloba diversos pontos: Não ter recurso, oportunidade, ideal, vontade, garra ou meios para conseguir mudar de alguma forma. Não é o suficiente. Entendeu?

      Precisamos começar de alguma forma… e essa foi a minha.
      Obrigado por ter lido, <3

      • Churrumino

        Mas quando falei da generalização tava falando das postagens que eu tenho visto pelo Facebook, não em relação ao seu post, foi mal! E sim, concordo com seu ponto de vista, nós como cidadãos fazemos pouco pra combater e repudiar essa escrotidão.

        • Ah sim, claro….
          Desculpa aí, achei que tivesse falado sobre o post.
          Acho que entendi mal.
          De qualquer forma, generalização não é bom, não é ideal. O ideal é que todo mundo (inclusive eu, você, nós todos) tivesse acesso à uma cultura igualitária e respeitosa.
          Infelizmente não é como isso funciona.

        • Postei uma aqui

  • Bob Balburdia

    Concordo com tudo. Parabens pelo texto.

    • Brigadão, Bob!
      :)

  • Lucas J. Gonçalves

    Sei o que você está sentindo, Cgui. Também me sinto envergonhado e com raiva sobre toda essa situação machista…

    Ótimo, texto, cara. Ótimo texto.

    • Valeu, Luc! <3

  • Onofre Ricardo

    Esse texto tá incrivel, Cgui. Essa questão do absurdo e da brutalidade do estupro é uma das poucas verdades absolutas que temos. Não é lógico, humano, plausível alguém discordar disso.
    Uma das partes mais inacreditáveis é ver gente influente e (em teoria) esclarecida, tentar colocar a culpa na vítima. Me revolta ver a merda que um cara como o Lobão escreveu, e mais ainda ver gente concordando com os “argumentos” dele.

    • Sim, cara… isso é bizarro.
      É algo que não entendo e, do jeito que isso tá andando, espero nunca entender.
      Tentar justificar uma selvageria (especialmente como essa) é desumano.

  • El LoCoOn

    Excelente texto,parabéns!!

    • Muito obrigado, :)

  • O Impronunciável Zweist

    Muito bem definido Gui.
    Possivelmente vou me queimar, por isso mesmo é bom deixar tudo bem claro. Qualquer um que coloque a culpa nela, é um imbecil. Ponto.
    No entanto, é bom frisar que ela se colocou numa situação perigosa e vivia assim já algum tempo. Não dá para passar um pano nesse aspecto.
    Agora, o fato em si, é de uma abominação descomunal. Trinta balas seriam a solução ideal no meu ver. Não dá pra vir com aquele papo de “reeducar” “socializar”. Isso é conversa mole. São cachorros loucos e devem ser mortos como tal.

    Há quase um ano, houve um outro caso, o de Castelo do Piaui, onde quatro garotas foram violentadas e jogadas da porra de um desfiladeiro. Cinco caras, quatro menores, fizeram isso e uma das garotas morreu. Agora vem falar contra redução de maioridade penal e medidas sócio educativas. O caralho! Um cara que violenta uma vez, fará isso de novo. Não há uma cultura de estupro aqui (pra isso tem que ir pra outros paises, vocês sabem quais), o que há é a boa e velha impunidade brasileira.

    Não sou a favor da pena de morte como medida preventiva. Isso parece não funcionar, para desestimular outros criminosos. Mas aquele ali pelo menos não vai mais fazer isso. E não vai ser um gasto pra sociedade. Não trabalho pra sustentar filhos da puta.

    Bem, na verdade existe uma, digamos subcultura de estupro. Qualquer um que não consiga ver isso num baile funk, é de uma ingenuidade atroz.

    • [Better Call Harvey]

      Na verdade Zweist acredito que o 1º passo é reeducar a população como um todo, melhorar o ensino p[ublico, fazer o pessoal mais pobre e carente pensar e ter senso critico.

      Depois de uns 10 a 20 anos com uma educação de qualidade, poderemos tirar o saldo de como nossa população realmente pensa.

      Porque hoje a mulher da periferia é vista apenas como objeto (algumas até consentem com isso), então esse seria o 1º passo.

      o Segundo é acabar com essa cultura do estupro, onde a culpa é sempre da mulher.

      • Isso não acontece só com gente de periferia, por exemplo.
        Conhece algumas pessoas de classe média-alta que pensam dessa forma.
        É tudo uma forma de como isso esteve presente em sua formação. Algo como “veio do berço”, sacas?

        • O Impronunciável Zweist

          Eu sou muito menos otimista em relação a algumas coisas. Já vi muita merda de perto Gui. Educar a população sempre vai ter um resultado positivo, mas é algo que só tem efeito se executado de antemão. Não acho que nenhum desses 30 babacas fosse mudar.

          Não é uma questão de educação apenas, mas de uma palavra até bastante menosprezada hoje em dia, moral. O cara ignora tudo que possa ter aprendido de bom, com alguém, os pais, os avós, seja quem for, pra ter o seu prazer. É porque ele acha que vai se dar bem e nada vai lhe acontecer. Um sujeito disposto assim a acabar com a vida de uma pessoa, não merece nenhuma piedade também.

          Quanto a se colocar em uma situação de risco, é o fato que ela frequentava locais onde o respeito pelas mulheres era uma moeda rara, mesmo vindo de outras mulheres. Ela não merecia o que lhe aconteceu, mas não se pode dizer que foi de todo inesperado. E duvido que tenha sido a primeira vez que algo assim aconteceu ali.

          • Onofre Ricardo

            Discordo um pouco dessa parte sobre os locais frequentados por ela. Toda mulher ao sair de casa (e as vezes, sem nem precisar fazer isso) se coloca em risco. Isso não significa que todas devam se trancar no quarto pra sempre.
            E sim, favelas e bailes funk estão longe de serem recantos de respeito feminino, mas nem por isso devem ser expurgados da sociedade. Esse é o mesmo argumento que tantos fanáticos aí usam para condenar festas, carnaval, futebol, internet, games…ou qualquer atividade que as vezes é usada por uma minoria pra realizar atos como esses.

          • O Impronunciável Zweist

            Mas nesse caso, não estamos falando de uma minoria. A minoria nesse caso é o pessoal que fica de boa. É só ouvir as músicas. Não é como se houvessem jogos que ficassem repetindo “matem as pessoas na rua” ou esportes que deliberadamente exaltassem as brigas entre as torcidas.
            Nem é questão das favelas, mas dos bailes, sim. Se você tem um local, onde só se fala, aos berros, “bunda, bunda, buceta, peitinhos, novinhas” você cria um estado de animo coletivo para um comportamento. E não é para ler livros ou plantar árvores.

            Não duvido que, em outras circunstancias, alguns daqueles cretinos não violentariam uma mulher, mas, a soma de um estado de espirito causado por uma enxurrada de adrenalina, da musica, do ambiente, e a própria pressão do grupo com certeza contribuiram para isso.

          • Onofre Ricardo

            Sei lá, eu discordo um pouco disso, mas é mais uma opinião pessoal mesmo.

    • Fala, Zweist…
      Cara, eu demorei um tempo pra responder, eu precisava pôr as minhas ideias no lugar e tava com a cabeça cheia demais pra isso.
      Bom… começando do começo (lembrando que é só o jeito que penso… não quero dizer que é o jeito mais prudente de existir ou pensar, mas é só o meu jeito de ser):
      Igual eu disse antes, não acredito que os fins justifiquem os meios. Nem pro lado “bom”, quanto no lado “ruim” das coisas.
      Por exemplo, querer ter um emprego incrível (ao meu ver) não justifica ter que passar por cima das pessoas. Derrubá-las efetivamente.
      Querer ter relações sexuais, em teoria, funciona da mesma forma.
      Não acho NUNCA que a mulher possui uma parcela de culpa. Seja lá qual for essa parcela. Seja lá qual for essa culpa. Se ela estiver em condições “PERFEITAMENTE NORMAIS” (antes de julgar, entenda isso por: em um estado mental são, sóbrio e, apenas, com uma vontade de realizar algum tipo de fantasia sexual… não quero entrar no mérito das expressões que usei… quero usá-las como exemplo para frisar que deve ser uma vontade inteiramente dela), desejar chamar 30 deu seus coleguinhas (33, como seja) E explicar que quer fazer um gang bang com todos, podemos entender como “ela se colocou numa posição perigosa”. Nem assim, mas é uma forma de apontar esse ponto de vista.
      Voltando lá pra parte de não achar que os fins justificam os meios (lembrando que estou supondo e falando de coração aberto, não entendo o suficientemente bem da sociedade para falar com qualquer propriedade). Eu imagino que num mundo ideal, tratando desse tipo de caso, todas as pessoas deveriam ser muito bem educadas. Não tô falando só de escolas, mas também temos as bases familiares, religiosas, culturais, políticas, entre outras. São todas “instituições” que possuem certas influências ou referências sobre nós, com maior ou menor intensidade. Com maior ou menor importância.
      Não só como algo ético ou religiosamente aceito, mas por algo que preze pela cidadania de todos.
      Obviamente não podemos excluir ou abominar as individualidades de cada um, seu cenário, seu modo de vida, suas bases de convivência, mas também não podemos aceitar isso como desculpa ou justificativa para algo potencialmente perigoso pra sociedade.
      Onde eu quero chegar com tudo isso?
      Educação é SIM muito importante. Um sistema de julgamento justo e eficaz TAMBÉM É, especialmente para conseguir de casos que “abusem” dessa individualidade.
      Não acho que matar alguém seja a resposta. Para qualquer coisa. At all. Não acho, igualmente, que tortura também seja a resposta.

      Esse tipo de pensamento é algo muito característico meu: não acho que o ódio deva ser empregado para qualquer coisa nessa vida. Ódio só gera mais ódio.
      O ideal era que todos nós pudéssemos viver em uma sociedade onde o medo, impotência e “dominação” não fossem valores que estivessem contidos (mesmo que de forma implícita).

      Acho que divaguei bastante, mas o que queria dizer é que uma coisa não devia justificar a outra.
      Eu ia escrever mais alguma coisa aqui, mas escrevi tanto que já esqueci.

      :)

  • Amigo Cgui, espero que não entenda meu comentário como uma resposta ofensiva ou raivosa. Eu tento nunca comentar sobre essas coisas fora da esfera do meu podcast, pois a internet tá lotada de gente que quer que o amor e a empatia imperem mesmo que pra isso seja necessário humilhar, passar por cima e distorcer a opinião de quem discorde de qualquer ponto. No meu site, eu controlo isso, na internet, quem controla são os fanáticos.
    Mas vou comentar no site dos amigos, pois imagino que nem preciso dizer o quanto eu gosto dos Amiches. E portanto não acho que aqui seja uma terra de gente doida.

    Primeiro, dá pra perceber que tu tá muito querendo “por pra fora” algo que tá te incomodando pra caralho. Sobre isso, meu único comentário é que isso absolutamente é um direito do amigo.

    Entretanto, eu não pus hitler(olha ele aí) no poder pra me sentir culpado pelo holocausto.
    Essa afirmação de que todo homem é culpado pelo que aconteceu passa por um filtro muito enviesado, míope e vem de uma linha de pensamento ideológico que já expulsou quase todas as mulheres que pensavam um milimetro diferente do seu meio. Por favor, não adote uma falácia que vem sendo politicamente polida a tempos, e que bebe da mesma fonte da idéia de que o sexo entre homem e mulher por sí só é uma violência contra a mulher.
    Além de essa linha de racicínio sobre a microparticipação ser a causa de “tal” problema poder ser usada pra validar pautas de qualquer segmento ideológico.
    Não se pode excluir as mulheres que criam os homens, da cultura de estupro. Quem me ensinou que mulher gosta de carro e dinheiro, foram as mulheres que me criaram, e não os filmes do rambo. Quem disse NÃO pra esses valores fui eu.
    Não se pode excluir a cobrança e expectativa familiar por um comportamento másculo e troglodita quando o homem ainda é adolescente. E no familiar, isso inclui as mullheres também.
    (Mas é claro, pode-se mandar a redefinição de que machismo nunca é algo praticado por mulheres. E não vou discutir um argumento com esse grau de desonestidade)
    Nessas horas sobra muito sentimento sendo posto no papel e as pessoas esquecem da real progressão desses valores de merda na vida real
    Não preciso dizer que acho algo horrendo isso que aconteceu. Mas a pouco tempo atrás, no piauí rolou coisa muito pior e quase ninguém deu uma merda sobre o assunto, se minha net tivesse funcionando direito eu passaria o link da noticia.
    Mas ok, vamos seguir a linha de que certos eventos desencadeiam reações, e esse caso que tu cita é um desses casos.
    Vamos desperdiçar isso com a idéia retrograda, abstrata e nada propositiva de que todos os homens são piores que hitler?
    O amigo repetiu algo que, essa semana devo ter lido dúzias de vezes no meu facebook: “Você pode até argumentar: “Ah, mas eu não incentivo nada e nem ninguém”. Mas nós também não combatemos isso. Não baseamos a nossa vida em andar contra essa maré.”
    Novamente ressalto que, respeito o sentimento do amigo. Mas quem deu a procuração da onisciência a tanta gente que está dizendo isso?
    Como pode tu, ou qualquer pessoa do meu facebook saber de fato ninguém faz nada sobre isso?
    E os pais que educam suas filhas de forma a serem pessoas livres? E as pessoas que nas suas vidas pessoais se relacionam e tratam as suas companheiras, namoradas, amigas e irmãs todo o respeito e consideração que um ser humano merece?
    Velho é muito complicado argumentar por essa linha. Fazer algo sobre isso é várias coisas diferentes, desde essas coisas do campo pessoal, até em quem a gente vota, ou como a gente se mobiliza socialmente na vida real, e até mesmo ouvir de alguma imbecil que “machinho não tem que dar opinião” dentro de um assunto que também nos corresponde e ficar quieto porque discutir isso é perda de tempo.
    Sobre se sentir culpado, aí vai de cada um. Cada um sabe o quanto deve e se deve. E francamente, quem se sente culpado por já ter sido ou ainda ser um babaca, pouco me importa a dor e a vergonha.
    Há muito tempo os homens precisam fazer algo a respeito da forma como enxergam a mulher, mas sinceramente, isso se faz tomando vergonha na cara e tratando o ser humano com o devido respeito. Esse feirão de auto-piedade e culpa quase católica, só vão servir pra ganhar likes e nos sentirmos amados(as). Francamente, pouco importam os nossos sentimentos quando tamos falando de vidas reais sendo destruídas.
    A ultima frase é mais referente a movimentação que tenho visto nas minhas timelines, não é adereçada ao amigo.
    Peço desculpas se de alguma forma soei grosseiro, o amigo sabe onde me encontrar caso tenha se ofendido com algo que eu disse, tranquilamente podemos trocar idéia se for o caso. Óbvio que eu concordo que a mina não tem culpa de ser estuprada e que os estupradores devem ser presos. Não digo isso para o amigo, pois acredito que saiba que concordo com o quão absurdo foi o acontecimento. Mas como há a probabilidade de eu ser acusado de fazer ~~mansplaining~~ ou qualquer outro jargão lacrador tombamento que não serve pra nada. Fica registrado meu repúdio ao acontecimento.
    Mals aí o textão, se soar meio confuso, é porque eu não sei escrever mesmo.

    • Marcel, meu lindo.
      Eu acho que qualquer forma de discussão é válida, que não existe certo e errado e que nenhuma verdade é verdade absoluta.
      Entendo o seu ponto de vista, o que não quer dizer que eu concorde inteiramente com ele.
      Também não espero que todos entendam ou concordem com o meu.
      Esse texto foi, sim, um desabafo. Foi igual mencionei (ou algo parecido) ali no início. Esse é “só” mais um dos casos chocantes. Essa “posição” deveria ser adotada desde sempre.
      O importante é nos conscientizarmos. Sabe?
      Estava comentando sobre isso (generalização e a “culpa” com alguém hoje – já nem me lembro mais). Não gosto muito de defender isso, mas passei uma visão mais “macro” dessa coisa. Não é como se eu ou você fôssemos virar estupradores, ladrões, assassinos de uma hora para a outra. Eu só não acho que dá pra justificar isso.
      Todos possuímos nossas individualidades, nossa base de conceitos e convívio e nosso livre-arbítrio para avaliar essas condições. Existem pessoas com problemas psicológicos (ou de qualquer outra natureza) que existem dificuldade para associar isso, mas não posso me basear nisso. Seria injusto.
      Enfim, dizer que todos somos culpados é uma forma de admitir de tem alguma coisa MUITO errada com os nossos valores. São valores que fogem das nossas mãos, vem desde antes de nos entendermos por uma sociedade.
      Eu sei que você entendeu isso, pela forma como escreveu (especialmente citando o Hitler). Entendi a comparação.

      Eu acho que precisaria escrever mais coisas, mas outras (talvez) eu faça isso.
      Você também sabe onde e como me achar e vai ser um prazer continuar a discutir sobre isso.

      Muito obrigado por ter aparecido por aqui e ter lido e expressado sua opinião, amigo
      GUENTA! <3

      • Não preciso de discussão com o amigo, apenas me abrace <3

  • O_Comentarista

    Texto sucinto, Cgui.

    Falar que a culpa do estupro é da mulher é a mesma coisa que falar que a culpa do assassinato é da arma.

    Esses 30 não são homens, e sim animais, e deveriam ser tratados como tal. Alguns crimes, na minha opinião, não deveria ter questão de maioridade penal.

    Concordo com o que o Marcel escreveu. Querer rotular homem como potencial estuprador seria a mesma coisa que dizer que toda mulher é puta, que todo negro é ladrão, que todo gaúcho é viado, e por assim vai.

    Teve uma vez que eu mais dois amigos fomos pra balada com outra amiga. Ela bebeu todas e ficou totalmente chapada. O que fizemos? Levamos ela pra casa dela, de boa.

    E pq disse isso? Pq eu e os outros caras tivemos EDUCAÇÃO por parte dos pais, ao ensinar o que é certo e o que é errado. E só com educação que podemos mudar a cultura do estrupo.

    Mas, até chegarmos nesse ponto, infelizmente muitas situações como a do Rio e em outros lugares do mundo acontecerão…

    • Onofre Ricardo

      Sobre esse lance de que “homem como potencial estuprador”, eu discordo completamente, mas entendo os argumentos das que falam isso. Tecnicamente, todos somos potenciais estupradores, assim como todos somos potenciais assassinos por exemplo. Bastaria uma arma e esperar uma vitima vulnerável. O que nos impede é que temos consciência/humanidade/noção de certo e errado, etc…coisas que aqueles 33 desgraçados nem passam perto de ter. Pra uma mulher não dá pra ela saber qual homem tem isso ou não, vide casos de mulheres violentadas por pais, amigos, vizinhos…sei lá, seria como uma paranoia semi-justificável.

  • Canoa Furada

    Texto bacana e com certeza espinhoso de se escrever. Qualquer frase mal colocada e tudo ganha outra conotação, ainda mais nesse mundão tão çábio da intenet.

    Sempre que acontece algum fato desses, todos julgam e condenam com uma velocidade impressionante. Há um excesso de certezas emocionadas (que geram muitos frutos aos interessados), por isso que muitas questões sérias são idiotamente discutidas.

    Única derrapada é esse ódio contra quem pensa diferente. Isso é danoso, parece coisa de seita ou organizações político-religioso criminosas.

  • Frogwalken
  • Senhor Suíno

    Nem li. Só digo que esse símbolo de fêmea + um punho me faz pensar em fistfucking.

    Me processem!