Para Ouvir Antes de Morrer – Aretha Franklin

Uma artista que casa bem com os dias que presenciamos.

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Aretha Louise Franklin nasceu no dia 25 de Março de 1945 em Memphis. Aos dez anos começou a cantar na igreja a qual seu pai era pregador. Aos quatorze anos e incentivada pelo pai grava o seu primeiro disco, apenas com músicas gospel. Mais tarde resolve investir na música secular e acaba se mudando para Nova York.

Já na nova cidade começa a chamar a atenção de várias gravadoras, entre elas a Motown, o maior ícone da música negra norte americana. Apesar disso, acaba assinando um contrato com a Columbia e depois com a Atlantic Records, onde alcança o sucesso e grava sua música mais conhecida até os dias de hoje: Respect. daí em diante vieram outras grandes obras como Chain of Fools, The House That Jack Built, Think, I Say A Littla Prayer, See Saw ,Save Me

Potente, marcante, contundente, única, poderosa. Esses são apenas alguns adjetivos para tentar classificar a voz de Aretha Franklin. Não é a toa que essa mulher recebeu a alcunha de “A Rainha do Soul”. Além disso ela foi a primeira mulher a ser incluída no Rock And Roll Hall Of Fame, ganhou uma estrela na calçada da fama e inúmeros prêmios em relação à sua contribuição musical, incluindo 18 Grammys, sendo a segunda mulher mais premiada da história do evento.

Mais importante que isso, Aretha é uma figura histórica. Uma mulher negra e que não se adequava ao padrão de beleza, mas com coragem o suficiente para subir em um palco e cantar que exige respeito. Artistas são importantes, pois com seu trabalho são capazes de difundir ideias em locais e para pessoas que muitas vezes parecem inalcançáveis para os meios comuns, são pessoas que através da música, pintura, escrita, filmes nos fazem sentir e refletir para situações as quais muitas vezes damos as costas. São vozes como a de Aretha e de Nina Simone (a qual também pretendo escrever sobre) que conseguem manter vivas e acesas mudanças na maneira de pensar e agir que se iniciaram com nomes como Rosa Parks, por exemplo.

E aqui estamos nós hoje, 48 anos depois do lançamento de Respect, e ainda tem gente dando chilique por causa do tema da redação do Enem. De parlamentares ao cidadão comum que não faz a mínima questão de pensar por conta própria, nem pra ter bom senso. Fiquei completamente extasiado quando minha namorada me contou que o tema da redação esse ano foi sobre a violência contra a mulher, mas essa empolgação simplesmente foi se tornado asco diante das reações absurdas contra o mesmo. Tenho 25 anos, apenas 25 anos e já estou cansado disso tudo. Não tenho forças nem mais vontade de argumentar com pessoas assim, e é exatamente agora que vejo a importância de artistas como Aretha Franklin, Nina Simone e qualquer outra artista que usou de sua arte como instrumento para fazer um mundo melhor. Estamos longe disso, mas espero que um dia consigamos.