O Grande Deus Pã

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Olha o capeta aí, gente!

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Em meados do século XIX, uma dupla de amigos conversa no terraço de um prédio enquanto admiram a vastidão verde da floresta que os rodeia. Um deles, médico, assegura que o experimento a ser realizado, além de ser absolutamente seguro, é um passo nuca antes dado em direção da evolução do homem. Apenas uma pequena incisão quase microscópica no cérebro e a percepção do mundo mudaria radicalmente, não pela destruição do tecido nervoso, mas pela ampliação das percepção humana, colocando a baixo a cortina ilusória que nos faz enxergar o mundo dessa forma.

Enxergar o grande Deus Pã.

O mundo como o vemos é apenas uma faceta dimensional de algo muito mais amplo e etéreo, que o nosso cérebro acaba não computando. Se isso acontece por uma limitação que a evolução ainda não foi capaz de romper ou como uma defesa natural de nossa sanidade ainda é um mistério. A grande possibilidade é de que a segunda proposta esteja mais próxima da verdade, visto que a jovem garota que se voluntariou para a experiência só parou de gritar com o imenso terror que enxergou quando foi sedada.

Os anos se passam e uma misteriosa figura feminina começa a chamar atenção em Londres. De imigrante a dama da alta sociedade em uma velocidade incrível, a jovem Helen possui um passado misterioso e uma charme capaz de levar o homem mais sensato à condição de total miséria. É estranho que uma mulher consiga ser ao mesmo tempo tão ardentemente bela e repugnante, como uma rara flor venenosa. A situação se torna ainda mais estranha quando alguns homens da alta sociedade começam a aparecer mortos em circunstâncias pouco usuais.

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Não consigo me lembrar hoje de como tomei conhecimento da existência desse livro. Provavelmente foi durante a minha leitura e pesquisas acerca de O Rei De Amarelo, já resenhado aqui no site. Tanto Pã quanto O Rei fazem parte dos primeiros exemplares do que pode ser chamado de terror cósmico, onde uma força sobrenatural além da compreensão e controle humanos aterroriza a vida de pobres mortais como nós. Ou talvez eu tenha procurado este livro por influência de Helen…

Assim como no outro livro, a obra de Arthur Machen aqui resenhada é apontada como sendo de grande influência nos escritos daquele que veio a se tornar o maior expoente desse estilo, o americano H.P. Lovecraft. Inclusive o fragmento de texto que compõe a contracapa é parte de um ensaio escrito pelo próprio Lovecraft falando de maneira bastante elogiosa sobre Manchen e o Livro e si.

Sobre o livro, o mesmo é composto de oito capítulos realmente breves, que narram em ordem cronológica as consequências da experiência realizada há quase quarenta anos antes de seu desfecho trágico e bizarro. Um leitor mais dedicado poderia ler a obra toda em apenas um dia. A arte da capa é simples e bonita, e em contraponto ao papel bem ruinzinho usado na capa, o interior do livro é em papel pólen de excelente qualidade.

Se alguém se interessar em adquirir um exemplar, a única maneira de consegui-lo, além de sair procurando de loja em loja, é apenas pelo site da editora, o que acaba sendo um pouco chato, já que é preciso fazer aquela cadastro que geralmente fazemos em um site grande pra não ter que repetir essa encheção de linguiça em outros lugares. Vocês podem comprar clicando aqui, o preço no momento em que escrevo está em 32 golpinhos, muito justo pela qualidade do texto.

Godoka
25/04/2017