Juiz Dredd – Mutantes Em Mega City Um

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Haverá um dia em que eu vou ler uma história ruim do Dredd, mas esse dia não é hoje.

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Com o falecimento prematuro da Juiz Dredd Megazine (a melhor revista mensal que circulava nas bancas naquela época) a Mythos vem intensificando o lançamento de materiais do juiz em forma de encadernados. Não apenas as histórias do Dredd, visto que recentemente a ótima Área Cinzenta ganhou uma republicação de suas primeiras edições na forma de encadernado, porém nem se compara ao investimento feito no carro chefe da 2000AD, que em pouquíssimo tempo ganhou quatro encadernados, sendo que o último deles saiu agora em fevereiro(Assassinos seriais).

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Não é novidade pra ninguém que já leu as história ou sobre elas que, com o tempo, Dredd passou de um mero executor da lei sem muito pensamento próprio para uma figura mais complexa. Isso pode até parecer uma fraqueza, porém o fato de Dredd começar a analisar com mais cuidado o mundo que o rodeia nunca o impediu de aplicar a lei, ele continua sendo o mais respeitado Juiz das ruas de Mega City Um, nem mesmo a idade parece afetar o bom juiz (lembrando sempre que Dredd é um dos poucos personagens que realmente envelhece na nossa proporção de tempo).

Mega City Um é uma cidade de proporções assustadoras, um lugar que parece funcionar sempre no limite, governada desde a sua fundação por um estado policial que trata qualquer manifestação a favor de democracia como crime. Mas por incrível que pareça, é ruim com os juízes, mas pior sem eles. Outra casta vítima das duras leis são os mutantes. Sempre que uma criança nasce com características mutantes, ou um adulto em seus exames de rotina descobre alterações genéticas causada pela exposição diária à radiação, o seu destino é selado. Mais um para os campos de mutantes que ficam além dos muros da megona, o deserto radioativo conhecido como Terra Maldita.

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Os poucos mutantes que tem permissão para viver em Mega City Um são sensitivos e telepatas que desde jovens recebem treinamento para juízes e passam a integrar a Divisão Psi, fora isso são todos expulsos tendo como principal desculpa a preservação  do “fundo genético”. Porém a questão mutante não é uma unanimidade entre a população, e ela acaba chamando a atenção de Dredd principalmente depois de descobrir que alguns de seus “primos” são mutantes e vivem na Terra Maldita. Dredd é um clone do Juiz Fargo, criador dos juízes, e descendentes diretos de Fargo moram em Fargoville. A descoberta do clã Fargo saiu aqui no Brasil no encadernado Origens.

Além disso, uma inspeção de Dredd aos acampamentos mutantes revelam uma realidade assustadoras. Os juízes e administrados desses lugares usam os mutantes para trabalhos forçados, sujeitos a tortura física e mental. Esse descaso do governo para com a população mutante garante a munição que Dredd precisava para tentar mudar as duras leis contra essa parcela da população, porém essa atitude o leva a bater tanto contra a população quanto seus próprios colegas juízes, e o preço a se pagar por um fracasso pode ser alto demais até mesmo pra ele.

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John Wagner trata Dredd, sua mais famosa criação, da mesma maneira que um pai trata carinhosamente um filho. Você pode até encontrar uma história ou outra escrita por ele que não seja tão inspirada, mas mesmo assim ela acaba sendo dotada de uma qualidade bem superior ao que vemos em muitos dos comics americanos, por exemplo. Esse encadernado não foge à regra. A história densa e carregada de informação em todas as páginas pode cansar tanto um marinheiro de primeira viajem quanto aquele leitor que pode tentar consumir o volume todo de uma só vez, porém isso não significa nem de longe que estamos diante de uma história ruim, muito  pelo contrário.

Apesar da grande foco na crítica social, a história ainda é repleta de momentos de ação, preservando o clima eletrizante característico das histórias do Juiz. Pode-se notar também um desenvolvimento dado por Wagner à Juíza Benny, a protegida de Dredd cuja primeira aparição se deu por aqui no encadernado América, já resenhado no site. Um dia Dredd vai acabar morrendo, provavelmente em combate, e talvez Benny seria uma boa alternativa para ser a nova protagonista das histórias de Mega City Um. Os encadernados América e Origens garantem mais entendimento e profundidade à Mutantes…, a leitura deles é recomendade porém não obrigatória. Vale ressaltar que a história não conclui nesse encadernado, mas em Exílio, volume já lançado pela Mythos.

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Como de praxe, não existe encadernado da Mythos em capa dura com preço acessível. O volume originalmente custava 79 reais, mas agora é encontrado por 57 em alguns sites. Mesmo com o desconto, o preço ainda é um repelente e tanto para novos leitores, uma pena, pois material assim acaba sendo leitura mais que recomendada pra todo fã de quadrinhos. Enfim, preço salgado, mas diversão garantida, mas pra quem não conhece nada sobre Dredd eu ainda recomendo começar por América, que também está mais ou menos nesse preço.

Godoka
07/03/2017
  • O_Comentarista

    Recentemente vi o Dredd no Netflix.

    Bem melhor que a versão com o Stallone, já que em nenhum momento ele tira o elmo.

    E aquela droga poderia se chamar Snyder, e não Slo-Mo.

    • [Better Call Harvey]

      Gosto pra caralho do Stalas, mas o foda de contratar alguem grande por papel de algum “mascarado”, é que ele vai ter que tirar o elmo/mascara/capacete pra mostrar o rosto. Senão o cara não assina o contrato.

      Quanto ao 2º filme, fui assistir um dia em casa, achando que seria uma bomba e foi foda de mais

  • o Inconcebível Bob Balburdia

    Quanto mais Dredd melhor.

    • [Better Call Harvey]

      Dreadd Locks

  • [Better Call Harvey]

    Curto muito a ambientação do Dredd. Acho o conceito foda de mais, um juiz executor de trabuko e motokona.

    Um dia ainda paro pra ler algumas coisas dele (os filmes são ótimos).

    Por enquanto, to lendo apenas SLAM DUNK (da panini); TEX PLATINUM (da Mythos) e ONE PIECE (porque é vidaaa)

    Fora Black Clover, Boku no Hero Academia e Yakusoku no Nerverland (no scanzão maroteiro).

    Falando em publicação semanal da Jump, é incrivel como alguns titulos ruins pegam carona com os bons e vão sendo “engolidos” pelo público.

    Comigo foi assim com Bleach, Fairy Tail e Black Clover. Comecei acompanhando One Piece e no embalo comecei a ler os outros…. Por mais ruim que fosse eu ia lendo, afinal o link do capítulo “estava ali ao lado”.

    Com bleach larguei mão e depois voltei, fairy tail a mesma coisa, so que quando voltei larguei de vez e com Black Clover já estou começando a largar….

    • O_Comentarista

      Yakusoku no Nerverland é foda.

      Começa bonitinho e vira algo diabólico.

      Um ótimo suspense até agora e cheio de plot twist.

      • [Better Call Harvey]

        Nem me fala, cada capítulo é de perder o folego.

        Principalmente esse último capítulo (29). Pqp, quando penso que eles vão se salvar, a merda so piora.

        Os demonhos pensaram em tudo, esses safados

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