Gamergate e A Vingança dos Nerds

As voltas malucas que a vida dá.

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Por alguma razão desconhecida resolvi assistir A Vingança dos Nerds e pensei em como as coisas mudaram de lá pra cá. Na verdade até um tempo atrás, ser um nerd era uma ofensa e hoje é quase uma camisa a ser vestida. Os anos 90 foram os principais causadores disso, com uma parte da cultura antes relegada os párias sociais sendo adotada por uma massa maior de gente.

Se isso foi uma coisa boa? No geral sim, mas como toda mudança social, trouxe um montão de merda junto com ela e o Gamergate é parte disso.

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Situando a galere: em 2013 uma guria chamada Zoe Quinn criou um jogo indie chamado Depression Quest, que foi para o Greenlight do Steam (essencialmente, você submete seu jogo para uma bancada que via julgar se vale a pena ser publicado no Steam), o que no caso do jogo em questão, foi aprovado em agosto de 2014, na segunda tentativa.

A merda começou a voar quando o ex-namorado da guria começou a espalhar pelos quatro ventos que ela o tinha traido com um jornalista do site Kotaku para conseguir reviews positivos para o jogo, o que disparou os alarmes sobre ética jornalistica, já meio abalados por casos de reviews comprados e coisas do tipo um tempo atrás (microsoft e o Machinima pagando por reviews positivos no Youtube e a Electronic Arts . O editor chefe do Kotaku alega que não é verdade, mas surgem novas provas, e se abriu um debate sobre a proximidade dos desenvolvedores com os jornalistas.

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A coisa começou a sair do controle. Moderadores do Reddit e do 4chan deletavam tópicos envolvendo o nome de Quinn. E como todos sabem, o 4chan é repleto de pessoas sensatas, verdadeiros lordes ingleses. Um comentador, Mundane Matt teve um video tirado do Youtube por uma solicitação de Zoe Quinn. Outro, John Bain (TotalBiscuit) foi atacado por vários desenvolvedores indies, incluindo o criador de Fez,  Phil Fish, apesar de Bain ter sido bem moderado nos seus comentários no Twitter.

Um caso interessante é que, no mesmo dia, vários (14 pra ser exato) sites de jornalismo de games lançaram matérias onde essencialmente diziam que a “cultura gamer está morta”, o que fez a galera ficar ainda mais desconfiada de que estariam todos trabalhando juntos para atacar os detratores. Nesse momento as acusações de misoginia começaram a voar, com os sites acusando os jogadores de serem um bando de virjões que odeiam mulheres.

O Gamergate (uma referencia a Watergate o escandalo que derrubou o presidente Nixon) seria um movimento exigindo uma reforma ética no jornalismo de jogos, e foi feito um boicote aos sites que publicaram a “cultura gamer está morta” e os patrocinadores desses sites foram contatados pelos jogadores.  A  hashtag #Gamergate é criada pelo ator Adam Baldwin, mulheres, homosexuais e minorias jogadoras criam a hashtag #NotYourShield, pois muitos se sentiram sendo usados pelos sites como argumento para atacar a cultura gamer (a coisa da comunidade ser acusada de misoginia e homofobia pelos sites).

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Enquanti isso, Quinn estava arranjando briga com outro grupo de desenvolvedores indies, o The Fine Young Capitalists, um grupo que se dedica a ajudar mulheres sem experiencia em desenvolver games a fazer jogos. Uns dizem que essa briga é porque Quinn não concordaria com a posição do The Fine…., outros alegam que é porque ela não estaria gostando de ver outros mexendo no terreno dela,  jogos indies que ajudariam a bandeira do feminismo.

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Os habitantes do 4chan não ficaram parados. Além de serem um dos quarteis generais do Gamergate, eles invadiram contas e emails buscando mais provas do envolvimento dos desenvolvedores e dos jornalistas. E para causar o caos também.

Uma das vitimas foi um jogo que estava sendo custeado no IndieGoGo, justamente pelos The Fine…. O site respondeu com uma mensagem no /v/, a parte de games do 4chan, onde condenavam hacking e quaisquer outras atividades ilegais. A coisa fica ainda mais estranha sabendo que esse jogo em questão foi grandemente bancado (mais de 70 mil dinheiros arrecadados) justamente pelo pessoal do 4chan. Isso mesmo, um dos “antros da misoginia gamer” se juntou a um grupo feminista, criaram a personagem principal do jogo, uma garota normal (Vivian James é o nome da personagem) e pagaram para que o jogo saisse. O que fez pensar que não teriam sido os hackers do 4chan que fizeram o ataque à página do jogo.

Vivian James

Vivian James

Nesse meio tempo outras tantas pessoas se envolveram ou foram envolvidas, como a famigerada feminista radical Anita Sarkeesian. Outra feminista, Christina Sommers se coloca ao lado dos jogadores, alegando que a comunidade não é sexista como tentam alegar e ela foi taxada de “conservadora” pelos sites de games. Emails de um grupo privado de jornalistas vazam e mostram que eles realmente se uniam para mostrar uma frente única. Isso leva os patrocinadores dos sites a se afastaram, incluindo a Intel.

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O fato de que vários jornalistas e sites frequentemente doavam dinheiro para  desenvolvedores pelo Patreon não ajudou a imagem dos sites, com acusações de conflito de interesses pipocando aqui e ali.  A coisa ainda não acabou embora pareça ter dado uma esfriada.

Estranho como A Vingança dos Nerds, a cultura que surgiu desde a aquela época e tudo mais caminhou até aqui. Finalmente a industria dos games é madura o bastante para ter um grande escandalo, como uma industria normal?

Será que foi uma boa idéia dar vozes a essa cambada? São todos uns virgens misóginos que só vêem as mulheres como objetos? Ou é papo de feminista querendo avançar suas agendas? Por que Shin-chan chama a mãe dele pelo nome ao invés de “mãe”?

 

 

Segue um video explicando o Gamergate bem por alto, em 60 segundos. Pensando bem, vocês poderiam apenas ter visto o video e não precisariam ler o texto.

 

 

Azar.

Zweist
21/10/2014