Filme Datado: Duelo de Titãs/Remember the Titans

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Post falando de um filme que tem 13 anos? Pois é, pois é, pois é!

Pois então, galera… não sei se chegaram a ver, mas NESSE POST AQUI eu havia falado que esse é o meu filme preferido. Tentarei escrever aqui o motivo disso… Então esperem um por um texto bastante longo, subjetivo e com altos spoilers (DE 13 ANOS, PORRA!!!!), mas com muita informação interessante. Vamo aê!

Duelo de Titãs (Remember the Titans, no original… uma curiosidade inútil é que o remember que eu tenho tatuado -pela segunda vez- nos meus dedos também é por causa do filme) é um filme de 2000, da Walt Disney Pictures. O longa é produzio por Jerry Bruckheimer, que já fez MUITA coisa fudida. É importantíssimo citar que o filme é baseado em eventos reais… e isso vai ser um dos pontos cruciais da minha escolha.

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Bom, vou fazer o trabalho do sr. Garibilbo, já que ele mesmo não faz, e conceituar as coisas para vocês. O filme rola no início dos anos 70 e, como não poderia deixar de ser, ele retrata bastante a realidade da época: o auge da segregação racial. Com isso temos todas aquelas questões da Klu Klux Klan, a “ideologia” (entre parentêses por não ser exatamente uma ideologia, não sei poderia classificar como movimento ou filosofia, então deixei assim mesmo) Black Power, os Panteras Negras, Malcolm X (um dos primeiros ideologistas do Black Power e Panteras Negras) e, junto com isso, toda a briga ridícula envolvendo a diferença entre raças.

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Malcolm X é foda! \o/

Pois então, viver nessa época não era simples. Existiam bairros específicos para negros e para brancos. Em geral, um não frequentaria o outro lugar sem batalhas descerebradas e muitas mortes no caminho. Uma das escolas da Virgínia, T.C. Williams,  juntou ambas as culturas e imagino que vocês possam prever o caos que isso virou. E é aí que o filme passa. Um técnico negro (Herman Boone) foi movimentado para essa escola com o intuito de comandar o time de futebol americano no campeonato regional, os Titans. Bill Yoast, o então técnico titular (e branco), acabou por ser somente o auxiliar e responsável pelo time de defesa.

Um acampamento de treinamento (que era altamente hardcore) foi realizado e teve o principal intuito de unir as pessoas e fazê-las superarem o que os diferenciava. Após o treinamento bem-sucedido, ambos voltaram para a “vida real”, em que preconceito ainda era algo latente e, além disso, eles precisariam disputar o campeonato em si.

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Essa é a premissa básica do filme, muitos argumentam em cima da questão racial, dizendo que é clichê demais ou que o filme é comercial demais. Eu vejo de uma forma ligeiramente diferente… e é aí, provavelmente, que irão começar os spoilers. Último aviso!!!

 Pois bem, apesar da temática central ser a questão racial e sua superação, acabo olhando o filme de uma outra perspectiva. EM MINHA OPINIÃO, ele é muito focado em sintetizar nossa vida. Analisando os fatos a partir de minha lógica de merda: já começamos o filme (pulando a cena inicial, ela é a mesma do final e vai ser mencionada mais pra frente) mostrando a realidade nua e crua daquele universo, tal qual nossa vida é. Não há uma distinção específica, tudo é um enorme obstáculo… e somos nós que a tornamos menos ou mais agradável, os detalhes estão aí por estar, temos que passar por eles de qualquer forma.

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Aquecimento fora de série do time…. Entrosamento incrível!

Também a parte do treinamento dos jogadores. Ambos foram levados ao extremo para aperfeiçoar sua forma física e os preparar para as dificuldades raciais que estavam ocorrendo. Tal qual a vida, visto que mesmo nos preparando, descobrimos quão diferentes as coisas são. Nem sempre podemos prever e nos preparar para tudo…. geralmente precisamos apanhar um pouco para conseguir seguir em frente tranquilamente. A volta das personagens para a vida real vem acompanhado de uma frase emblemática, algo como não entenderem o motivo de terem que voltar e enfrentar toda essa porcaria, eles estavam muito bem na concentração. E é assim que muitos de nós devem pensar.

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Ator superior na cena em que canta, dança e encanta! *_*

O filme segue mostrando uma progressão natural, passando por dificuldades, enfrentando altos e baixos, até as partes finais, em que Gerry Bertier (o único all-american daquele time, uma espécie de seleção com os melhores jogares, tal qual seria uma seleção dos melhores jogadores do Brasileirão daqui, por exemplo) sofre um trágico acidente, fica paraplégico e, portanto, não pode disputar as finais. Nem preciso mencionar quão normal é encontrar situações em que tudo em nossa vida dá uma virada. As vezes é de uma maneira incrivelmente boa, as vezes não… mas há as mudanças bruscas. No caso do filme, o jogador supera o problema e treina para as paraolimpíadas. Assim como ele, nós seguimos da forma que conseguimos, nos adaptando as condições apresentadas e tentando seguir sem olhar para trás. Só queria dizer aqui que o diálogo entre Bertier e Julius Campbell, após eles se reencontrarem no hospital (resultado do acidente que mencionei acima), é incrível e, como diria uma amiga minha, responsável por uma pequena concentração de suor masculino localizado na região próxima ao meu globo ocular! :’)

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No final do filme, os Titans conquistam o campeonato invictos e a cidade caminha para superar os problemas raciais. Depois disso, alguns flashes nos mostram os acontecimentos com os principais personagens (lembram-se que eles foram inspirados em personagens reais, né?!), alguns deles continuaram nos esportes, outros abandonaram logo depois dessa temporada. Bertier morreu após 10 anos do acontecimento dos filmes, ele foi campeão paraolímpico de arremesso de peso (se não me engano) e é com isso que o filme começa/acaba. A cena conta com a reunião de todos os ex-jogadores e comissão técnica do Titans de 71, prestando uma última homenagem para o guerreiro que foi Bertier. Outro momento de lágrimas masculinas ocorre aqui quando ouvimos o pessoal cantarolar Na Na Hey Hey Kiss Him Goodbye. Minha reflexão sobre isso é de que embora passamos por tudo o que passamos, nós ainda somos nós mesmos, portanto, pessoas. Iremos relembrar com afinco as passagens importantes e brindar por poder aproveitar elas da melhor forma possível, ou da forma como foi necessariamente conveniente para sobreviver ao momento.

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Imagem dos Titans de verdade, :’)

Sei que o texto foi bastante grande, mas queria agradecer caso você tenha lido isso até aqui. Essa é uma das coisas que mais significam pra mim (como conteúdo artístico)… e acho legal poder compartilhar isso com todos.

Até a próxima, o/