Black Sabbath – Black Sabbath

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Esse disco ainda me dá arrepios.202

Sim, mesmo depois de anos após a primeira audição, a primeira visualização da capa sinistra (uma das mais sinistras do metal na minha opinião), mesmo após o descobrimento de bandas mais pesadas e sombrias, esse disco ainda me dá calafrios.

Mas não é assim que essa coluna começa, e sim como termina, então vamos voltar à maneira tradicional, falando pela banda. O Black Sabbath não nasceu Black Sabbath, esse nome surgiu após os integrantes descobrirem a existência de outra banda chamada Earth, nome que usavam na época. O nome que conhecemos hoje foi sugerido pelo baixista Geezer Buttler após o mesmo assistir o filme homônimo de 1963, dirigido pelo italiano Mario Brava e estrelado por um dos maiores ícones do cinema de terror, Boris Karloff.

Após um período de 6 anos de mudanças de formação e shows que surpreendiam a todos pelo som inovador e pesado, em 1970 o primeiro disco é lançado, batizado apenas com o nome da banda, cuja formação na época contava com Tony Iommi na guitarra, Geezer Butler no baixo, Bill Ward nas baquetas e o icônico Ozzy Osbourne (chupa Vinnie!) nos vocais. Um disco cru, áspero de uma banda estreante que alcançou o expressiva oitava posição nos mais vendidos da Inglaterra na época.

E sobre as músicas? São apenas 8 faixas, sendo uma delas um cover, e só isso basta pra esse disco ter se tornado um clássico absoluto. De cara temos Black Sabbath, que se inicia com um som de chuva e trovões até uma introdução instrumental explosiva. A letra trata sobre bruxaria (o sabá negro seria uma data do ano importante para bruxas e praticantes de magia negra), e de cara temos uma das marcas registradas da banda que acabou se tornado também uma das características do heavy metal: letras sobre magia, satanismo, bruxaria, ocultismo e fantasia, tudo bem simples, como um filme de terror, longe do que se tornaria no futuro com as bandas de black metal.

Na sequência temos The Wizard, uma das melhores do disco e uma das minhas favoritas. A pegada da música é bem simples, com algumas quebras de ritmo, e talvez o seu ponto mais marcante seja a introdução, um acorde simples de gaita tocado por Ozzy. Behind The Wall of Sleep é a terceira música, e é uma boa faixa, mas que acaba sendo apagada por suas vizinhas, pois se ela é precedia do The Wizard, a que vem depois é uma dos clássicos absolutos da banda e outra das minhas favoritas, N.I.B..

Tudo nessa música é sensacional, a introdução que é um dos riffs de baixo mais icônicos do metal, os maravilhosos solos de guitarra, a bateria pesadíssima, e ouso dizer que nunca Ozzy Osbourne cantou de  maneira mais perfeita como nessa música (ok, talvez em War Pigs ele tenha feito um trabalho tão bom). A letra também é um capítulo à parte, contando a história da paixão do  demônio por uma mulher humana. Sinceramente, pra mim a banda só se superou no quesito letra quando Heaven And Hell foi lançado, dez anos depois.

Evil Woman, a próxima música, é outro caso à parte. Adorada por alguns, odiada pela maioria dos fãs, o fato é que nem a banda queria colocá-la no disco, mas acabou cedendo à exigência da gravadora por uma faixa mais comercial para divulgar o disco, e acabaram por colocar esse cover da banda americana de blues Crow. Detalhe: Evil Woman foi o primeiro single deles.

Sleeping Village é a música mais lenta do álbum, se iniciando no violão e depois partindo para um momento instrumental com um maravilhoso solo de Iommi. Considero ela a música mais apagada do disco, mesmo com o solo, a ideia foi mais bem aproveitada no disco seguinte, Paranoid, com a sensacional Planet Caravan. Warning, a sétima música é uma pérola de pouco mais de dez minutos onde Iommi desfila toda a sua habilidade e megalomania com solos de guitarra. A bolacha encerra com Wicked World, um heavy rock com fortes influências de blues e um riffzinho muito do sacana. Uma ótima música e uma maneira muito boa de encerrar o disco, mas particularmente nunca foi das  minhas favoritas.

E agora sim, a parte  mais pessoal do post. Antes desse disco, antes do Black Sabbath em geral, meu conhecimento de metal se resumia ao álbum Dance of Death, do Iron Maiden, e do segundo disco do Linkin Park, que eu nem me lembro do nome mais. Sim, eu sei, eram tempos sombrios. E eu como um jovem cabaço que estudava em colégio de freira e ouvia horrores sobre as bandas de metal possuía um certo medo de Black Sabbath, assim como de Alice Cooper, KISS e Marilyn Manson. Com o tempo descobri que se você quer ouvir verdades o último lugar a procurá-las é com gente muito religiosa, mas foi um esforço de curiosidade e libertação de preconceitos ouvir essas bandas, e ainda bem que isso aconteceu, pois a partir delas eu conheci muitas outras.

Paranoid pode ser um disco mais famoso, ou até melhor do que Black Sabbath, mas foi com o álbum da capa medonha que eu comecei a trilhar um caminho com menos crendice e mais tolerância, inclusive em relação a estilos musicais que não aprecio.

  • O_Comentarista

    Esse álbum é foda!

    “Antes desse disco, antes do Black Sabbath em geral, meu conhecimento de metal se resumia ao álbum Dance of Death, do Iron Maiden, e do segundo disco do Linkin Park, que eu nem me lembro do nome mais”

    Pelo menos vc deixou de ser juvenil e aprendeu a ouvir música de verdade.

    Lembro que o primeiro disco de metal que ouvi tinha 7 anos, quando um primo meu comprou o vinil do Somehwere in Time do Iron.

  • Anubis_Necromancer

    Há uma lenda de que o bateirista de uma banda (não lembro agora), fez uma casa toda preta com muitas cruzes invertidas.
    dai ele pegou um livro (acho que era o do São Cipriano de Capa Preta), e numa noite, ele havia cordado e viu uma figura negra imensa em seu quarto, vendo no criado mudo, aonde ele havia guardado o livro.
    Num momento no qual ele piscou, a figura já não estava mais em seu quarto, e nem o livro no criado mudo.

    • Sim, e foi o Tony Iommi, guitarrista do Sabbath. Ele vendeu o livro no dia seguinte.

  • Te dar umas dica de banda de révi métou :D

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