Batman – O Nascimento do Demônio pt.2

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Que beleza!

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Fechando a Trilogia do Demônio, essa história funciona muito melhor sozinha. Batman está empenhado a derrotar Ra’s Al Ghul, um de seus inimigos mais formidáveis. Para isso ele não está medindo esforços para destruir todos os Poços de Lázaro antes que Ra’s, seriamente doente e a beira da morte, consiga usar suas misteriosas propriedades curativas. Porém, durante uma incursão, o morcego acaba sendo jogado em uma lago usado como deposito de lixo tóxico, e se encontra agora também próximo do destino final.

Cansada de seus planos para salvar o pai serem frustrados pelo herói, Talia Al Ghul resolve ela mesma supervisionar a escavação do próximo poço, o que a leva a uma confrontação direta contra aquele que fora em ocasiões mais amenas o seu marido. Bruce revela que durante os esforços para chegar na frente sempre ele acaba encontrando um pergaminho escrito em uma língua morta há séculos, que narra de maneira fantasiosa a história de origem de R’as, história essa datada de 600 anos atrás. Só que nada dessa história é realmente fantasia.

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Nascido em um dia de tempestade e destinado a grandes feitos, o jovem rapaz cresceu e se tornou médico do sultão de sua tribo, servindo a ele e seu inconsequente filho único. Um dia o filho do sultão adoece, e cabe ao médico encontrar uma cura, e para então ele se isola no deserto para meditar. Por estar em um local por onde passam as misteriosas Linhas de Ley (que existem no mundo fora dos quadrinhos), o jovem tem uma turbulento sonho no qual ele consegue sobrepujar a morte. Ao acordar, vai até o sultão e revela a sua ideia: a criação de um poço nesse local energizado, cheio de substâncias altamente tóxicas mas que se misturadas na quantidade certa e sob influência energética do local seriam capazes de feitos milagrosos.

O filho do sultão é curado, mas as consequências são terríveis. Tomado por uma intensa raiva e loucura momentâneas, ele acaba por violentar e assassinar a esposa do médico, a única pessoa que ele amava. Para acobertar o crime do filho, o sultão acusa o médico de assassinar a sua própria esposa, além de calúnia contra o príncipe herdeiro. A punição, apodrecer em uma jaula enterrada junto com o cadáver de sua amada. Esse seria o seu destino se um rapaz que um dia recebeu uma boa ação dele não o resgatasse. O que se segue é uma trilha de vingança de proporções e desfecho épico.

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Sai Mike W. Barr, autor das duas histórias anteriores da trilogia, e entra Dennis O’Neil, provavelmente o maior roteirista que já passou pelo título do Batman. O resultado é uma mudança radical no clima e desenvolvimento da história. Tenho uma certa predileção por histórias do Batman onde ele é um protagonista ou personagem secundário, e essa aqui é uma dessas histórias. Mesmo o vigilante tendo participação efetiva no início e final da história, essa é uma história sobre R’as Al Ghul, é é provavelmente uma das melhores histórias do Batman que já li, melhor até que Filho do Demônio, também clássica e que inicia essa trilogia.

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Não foi apenas do roteiro que houve uma mudança significativa, por mais lindo que sejam os traços de Jerry Bingham, a arte pintada de Norm Breyfogle se encaixa perfeitamente aqui, e não poderia ter sido uma escolha melhor. Assim como recentemente escrevi na resenha sobre o novo  encadernado da Elektra, as páginas aqui merecem uma tempo para admiração maior que o necessário para a leitura.

 

Nos extras temos Batman 235, de 1977 e também com roteiro de Denny O’Neil, além de desenhos de Irv Novick. A história é a segunda aparição de R’as Al Ghul nos quadrinhos (a primeira está presente no encadernado anterior), o vilão pede ajuda a Batman para encontrar um cientista que o traiu, levando consigo  um novo composto que contem uma terrível praga, capaz de matar com o menor dos contatos. Uma história simples e bem legal, no estilão dos anos 70.

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Essa edição tem um número de páginas bem reduzido em relação ao primeiro, mas ao meu ver também possui uma história melhor. Se for para escolher adquirir apenas uma eu diria para escolher essa daqui e comprar a versão de capa cartonada de O Filho do Demônio lançada pela Panini com um preço muito mais em conta (19 reaus, a edição da Eaglemoss custa 39,90). Uma boa pedida para todos os defensores de coisas como Cavaleiro das Trevas 3 e a fase de Grant Morrison calarem a boa e verem o que é história boa do Batman.

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Godoka
27/09/2016
  • O_Comentarista

    E pensar que hoje vemos o Batman dando porrada no Darkseid…

    • Pior, invadindo Apokolips sozinho e metendo porrada em todo mundo, incluindo o Darkseid.

    • Frogwalken

      Só faltou ele dar porrada sozinho nos Novos Deuses.

  • Bob Balburdia

    Batman de pé com uma pá enfiada no peito. Vixe.

    Se fosse hoje em dia, a pá quebraria.