Assim na Terra Como No Inferno

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Ou As Above So Below, está escrito das duas maneiras no Netflix.

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Estava com saudade de escrever sobre  filmes de terror. Mais do que isso, estava com saudade de assistir filmes de terror, coisa que abandonei temporariamente depois que comecei a morar sozinho. Porém durante uma gostosa conversa no Skype (ou seria uma gravação de podcast? Mistério…) com o nosso amigo Luis lá do Geekburguer surgiram algumas dicas de títulos novos ou não tão novos assim do gênero, e não podia deixar passar.

O filme de hoje não é uma dessas indicações, mas um filme que deixei de procurar muito tempo atrás pois simplesmente não o encontrei em lugar nenhum. Só que na febre da Netflix de adicionar cada dia novos títulos em seu acervo eis que essa semana me deparei com o título ali, reavivando minha memória e me atraindo como uma armadilha de luz atrai um inseto.

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Filmado no estilo found footage (ou “câmera tremida”), o filme de 2014 segue a história de Scarlett, uma arqueóloga especialista na história da alquimia. Scarlett está em busca da maior lenda da alquimia, a Pedra Filosofal, um artefato capaz de garantir ao seu usuário vida eterna, a cura de qualquer moléstia e a capacidade de transformar qualquer metal em ouro. Sua pesquisa a leva acaba levando até a lenda acerca da morte de Nicolas Flamel, figura histórica que ficou conhecido como alquimista.

Flamel afirmava ter sido capaz de confeccionar uma pedra filosofal. Segundo a lenda, quando saqueadores foram à sua tumba à procura do tesouro acabaram encontrando-a vazia, assim como a de sua esposa vazios, apenas com as roupas que foram sepultados. Flamel também teria deixados pistas da localização da pedra em seu testamento e túmulo (projetado por ele mesmo) utilizando do alfabeto alquímico. Scarlett acaba interpretando que talvez o objeto místico se encontre abaixo do túmulo de Flamel, em uma distância que os alquimistas acreditavam ser o meio do caminho entre a Terra e o Inferno.

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Como Flamel foi enterrado em Paris, a maneira mais provável de chegar a essa distância é explorando as catacumbas que existem abaixo da cidade. Durante uma visita guiada, uma figura misteriosa aparece e sugere a Scarlett procurar a ajuda de Papillon, um explorador acostumado a andar por locais proibidos da catacumbas. Papillon é convencido a ajudar através da promessa de ficar com o tesouro que estaria enterrado junto à pedra. Durante o começo da exploração uma parte dos corredores desaba e eles terão que encontrar uma outra rota para escapar, indo cada vez mais para baixo.

Este filme é apenas o quarto na carreira do diretor John Erick Dowdle, que ganhou fama logo na sua primeira produção, The Poughkeepsie Tapes. Os filmes seguintes não são exatamente o que podem chamar de um bom currículo, que são Quarentena, a regravação literal e duvidosa da excelente produção espanhola Rec, e Devil, filme regular baseado em um conto escrito pelo diretor M. Night Shyamalan. E, diferente de seus predecessores, o resultado aqui ficou muito bom.

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O filme possui basicamente dois pontos de vista, o de câmeras acopladas junto a lanternas de cabeça nos protagonistas e em uma câmera de boa qualidade, utilizada de maneira correta, garantindo um bom equilíbrio. A ideia de usar as famosas catacumbas francesas como uma passagem para o inferno (e até mesmo como o próprio inferno) pode não ser a coisa mais inovadora, mas a sua execução foi ótima. O uso das câmeras como ponto de vista dos que andam pelos escuros e apertados corredores repletos de ossos humanos reforça ainda mais a atmosfera opressiva do ambiente, e garante uma imersão do espectador de uma maneira que talvez a filmagem convencional não conseguiria. Esse é tipo de filme que o terrível A Pirâmide deveria ter sido mas falhou miseravelmente.

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Enfim, Assim na Terra Como no Inferno vale o tempo gasto pra assistir (uma hora e meia,  rapidinho). É bom ver o Netflix dando um pouco mais de atenção com a sua sessão de terror, só acho que ela não precisava tirar do catálogo as podreiras dos anos 80, tinha espaço pra todo mundo, é só abrir mão de produções duvidosas como a franquia Uma Noite de Crime.

Godoka
27/10/2016