A Morte do Superman

É chegado o momento que ninguém esperava.

MOS

Quando fiz a assinatura e resenhei a primeira história da coleção Eaglemoss, prometi a mim mesmo que iria ler todos os encadernados em sequência e escrever sobre as história aqui pro site. Isso serve para dois objetivos, o primeiro é o mais óbvio: ter material pra postar; o segundo objetivo é fazer com que eu leia toda a coleção sem largar esse ou aquele volume para ler em um futuro vago, evitando que alguns encadernados terminem como os de Guerras Secretas da Salvat, que ainda estão lacrados. O problema é que tem momentos que chega algumas coisas difíceis de engolir, como A  Morte do Superman.

Idealizada por Dan Jurgens, a minissérie foi escrita não só por ele, mas por Jerry Ordway, Roger Stern e Louise Simonson, com desenhos de Jon Bogdanove, Jackson Guice e Tom Grummet além do próprio Jurgens. O motivo para uma equipe criativa tão inchada é que o evento da morte do Kryptoniano ocupou todos os títulos do herói na época, com cada novo capítulo sendo lançado semanalmente. Todos os autores se reuniam frequentemente para que a história ficasse mais coesa possível. O resultado foi um dos títulos mais vendidos de todos os tempos, que  teve repercussão até mesmo na grande mídia.

O que não necessariamente signifique uma história boa.

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Resumindo de uma maneira simples e ao mesmo tempo enchendo linguiça pro parágrafo não ficar muito magrinho: um bicho que ninguém sabia da existência brota do chão, dá um cacete federal na Liga da Justiça e depois mata o Superman, mas acaba morrendo também no desfecho. É, não deu pra encorpar muito esse parágrafo, mas esse é basicamente o roteiro de toda a minissérie. Vale falar que o nome do bicho é Apocalypse (com “y” pra não confundir com o vilão dos X-Men), ele é bem burrão, só quer quebrar a porra toda, matar, trucidar e preencher o vazio que existe devido sua falta de origem coesa e outro objetivo além de matar um personagem que ressuscitaria mais rápido do que você pode dizer “caça níquel”.

O fato é que a DC acredita no mantra “uma mentira repetida inúmeras vezes passa a ser verdade” e está mentindo  pra si mesma desde 1993 (data da publicação original) que essa é uma história boa o bastante pra ser chamada de clássico. Tirando a própria editora, não tem muita gente que acredita nisso, mas mesmo assim vira e mexe essa bagaça ganha republicação em formato luxo, é adaptada em desenhos, o Apocalypse recentemente apareceu no cinema e o diabo a quatro, e continua sendo um personagem tão xexelento quanto na época da sua criação. Sobre os desenhos, não tem muito o que dizer, só que são realmente bons, até mesmo o Jurgens que muita gente não gosta tava mandando bem na arte.

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De extras temos a republicação de Superman 21, de 1943. Essa é a primeira menção da morte do azulão, que viria enganar a dona foice mais um par de vezes até 93 e agora no Rebirth. Escrita e desenhada pelos pais do personagem, a dupla Jerry Siegel e Joe Shuster, a história abre com a bombástiva página de jornal dizendo que o Homem de Aço havia encontrado o seu fatídico fim pelas mão de um franzino ladrão de galinhas, mas isso não passava de um plano do Super para fazer com que um chefão do crime fosse levado à justiça. Mesmo que você não compre essa edição (e eu sugiro que não compre) vale a pena procurar essas histórias do primórdio do personagem, mesmo que a trama não prenda muito a atenção, o Super pau no cu é algo genial.

Enfim, se você é uma dessa pessoas masoquistas ou de gosto duvidoso vai fundo e compra essa bagaça, até porque ela é mais barata que os absurdos 70 reais cobrados pela versão luxo da história. Mas a minha opinião pessoal, se você não conhece ou nunca leu A Morte do Superman, eu sugiro que busque o scan e fique longe disso aqui.

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Godoka
26/07/2017